sexta-feira, 13 de junho de 2008

Meus Amigos

Meus Amigos...

Estando já descrito, e muito bem, num outro blog dedicado à vila do Rosmaninhal, a festa de S. João, deixo aqui um link de forma a poder ser consultado.

Na altura do S. João, os naturais desta vila de Idanha-a-Nova só não estão presentes na festa, se lhes for totalmente impossível!


http://rosmaninhal.no.sapo.pt/usosecostumes.htm

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Cancioneiro Popular



Cancioneiro Popular


O Cancioneiro Popular da região da Beira Baixa também referem a alimentação:


Não posso comer sem garfo

Nem galinha sem limão

Não posso tirar os olhos

Donde os meus amores estão


O meu amor é padeiro

Traz a cara enfarinhada

Os beijos sabem-me a pão

Não quero comer mais nada


Dai-me vinho, dai-me vinho

A água não posso beber

A água da fonte tem limos

Tenho medo de morrer


à cabeceira, toucinho

Aos pés, chouriço assado

Diga-me lá, ó menina

Se estou mal acompanhado


Dá-me da pera madura

E da maçã, uma talhada

Da laranja um gominho

Do limão não quero nada


Julgas que morro por ti?

Engana-te o coração

Eu nunca fui rabaceiro

Da fruta que cai no chão


Quatro castanhas assadas

Quatro pingos de aguardente

Quatro beijos de uma moça

Fazem um homem contente


segunda-feira, 19 de maio de 2008

Adágios...





Adágios e Expressões




Também a alimentação é homenageada com Adágios e Expressões populares que revelam conceitos de um saber feito de experiência.


Alguns dos mais originais:




Barriga vazia não conhece alegria.


Guardado está o bocada para quem o há-de comer.


Quem em Maio não merenda, aos mortos se encomenda.


Barriga de pobre, antes arrebente do que sobre.


Come-se a perdiz com a mão no nariz.


Ovelha que berra, bocado que perde.


Pão quente, faz mal ao ventre.


Não digas desta água não beberei, nem deste pão não comerei.


Pão com olhos, queijo sem olhos e vinho que salte aos olhos.


Ano de nevão, ano de pão.


Pelo S. Martinho, rebusca o teu soitinho.


Dia de S. Tiago, vai à vinha e prova o bago.


Dia de S. Lourenço, vai à vinha e enche o lenço.


Pelo Stº André, agarra o porco pelo pé.


O pisco em Janeiro, vale os quartos de um carneiro.


Em Janeiro, um porco ao sol e outro no fumeiro.


Pelo S. Marcos, os sáveis enchem os sacos.


O azeite, o vinho e o amigo, o mais antigo.


O primeiro copo bebe-se inteiro, o segundo até ao fundo, o terceiro como o primeiro e o quarto como o segundo.


O azeite e o vinho, um ano é teu outro do vizinho.


A fome e o frio metem a lebre ao caminho.


Pelo S. Martinho, mata o teu porco, prova o teu vinho e não te esqueças do teu vizinho.


Antes a face com fome e amarela do que a vergonha nela.


Comer e beber e fazer para o ter.




Outros pratos...




Outros pratos...

O peixe do rio não assumiu grande importância na alimentação do dia-a-dia. Contudo, tal hábito está a modificar-se e tem já um certo significado a pesca nos rios com água durante todo o ano, como o Tejo, o Zêzer, o Ponsul, o Aravil, etc.
Os peixes mais comuns são: o barbo, a boga, a carpa, o lúcio e o achigã.
Nas ribeiras de águas frias nas faldas da Serra da Estrela, tem significado a truta, recentemente incrementada pela construção de instalações adequadas, representando uma fonte importante de proteína natural, cada vez mais apreciada na região.

Também se consome aguardente e jeropiga.
Embora cada vez mais raro, ainda há o "mata-bicho" com aguardente logo no começo do dia. Com a jeropiga e água-pé comem-se as castanhas assadas e as passas de figos (figos secos).

E para finalizar, ou melhor, para a sobremesa, vai a doçaria, que embora não tenha constituído elemento regular e normal na alimentação corrente, tem vindo a aumentar a sua produção e consumo.
O Arroz Doce, servido em travessas, figura obrigatóriamente nas festas de família ou nos casamentos (bodas).
O leite-creme e as papas de milho (carolo) são também muito habituais. As papas de milho estão ligadas a certas festividades, como sejam os Santos, e mesmo a acontecimentos colectivos.
A coalhada, o requeijão ou travia, o leite com botelha (abóbora) e o caldudo (castanhas secas, cozidas em leite) são também elementos importantes na doçaria
A aletria, a taborna ou tiborna (pão molhado em azeite ou vinho e açúcar) constituem referências significativas.




O pão-leve (pão-de-ló), as cavacas, os cuscuréis, os folares, as amêndoas roladas, os sonhos, os suspiros, as espumas ou farófias, os ovos de fio, a palha de padre e as tijeladas, fazem parte da doçaria tradicional com enormes potencialidades.

domingo, 18 de maio de 2008

Pratos de Carne



Pratos de carne


Quanto à carne, o porco que foi rei e senhor, ainda mantém um lugar de destaque, embora os genuínos cabritos e borregos façam as delícias dos mais exigentes, sendo também de referir a crescente disponibilidade da saborosa carne de javali.


Os maranhos (miúdos de cabrito ou de carneiro e outras carnes, como presunto, paio) bem temperados com pimenta e hortelã, constituem a especialidade da zona sudeste da região - zona do pinhal.


O sarrabulho ou sarapatel (cozinhado com miúdos de porco) é muito típico por alturas das matanças.


A carne de galinha e de coelho, quando criação de casa agrícola, são muito saborosas e lá diz a sabedoria popular: "Cautelinha e caldos de galinha não fazem mal a ninguém".


A caça foi uma grande fonte de carnes, muito apreciada, com destaque para os coelhos bravos, lebres, perdizes, pombos e patos bravos, tordos, rolas, galinholas e codornizes.


Sendo a perdiz uma das espécies mais apreciadas, é interessante referir o que o saber do povo conta sobre o seu ciclo de vida:


"Em Janeiro, busca o parceiro.

Em Fevereiro, faz o rapeiro.

Em Março, faz o covacho.

Em Abril, enche o covil

Em Maio, pipi para o mato

Em Junho, maior que um punho

Em Julho, enche o certulho

Em Agosto, toma-se-lhe o gosto..."

A sopa na panela de ferro



Poejo

A sopa na panela de ferro

A velha panela de ferro, tão negra, cheia de fuligem por fora e tão limpinha por dentro do uso diário que lhe é dado durante grande parte do ano, durante várias gerações, continuou ao lume.
Hoje só em ocasiões muito especiais é que se utiliza.

Estando a panela já arrimada ao lume com a água necessária, antes de ferver botam-se-lhe os ingredientes: batatas bem descascadas, couves não migadas mas ripadas à mão, nabiças ou feijão verde (conforme a época), cebola e alho, uma folha seca de loureiro, um tomate descascado e uns raminhos de hortelã e poejos. Junta-se uma farinheira e uma morcela (se for a seguir à matança do porco, pode juntar-se um osso, dando à sopa um outro sabor)
Tudo deve cozer em lume brando, demoradamente (mais de uma hora). Depois, o enchido e os ossos são retirados e, pacientemente, com uma colher de pau e um garfo, as batatas são esmagadas. No caso de não haver enchido, falta juntar o tempêro, sal e azeite, deixando a panela em cima das brasas para mais umas fervuras.
Fica assim pronto o saboroso caldo, um pouco espesso mas sem ser puré, que é meio sustento.

A Gastronomia da Beira Baixa



A gastronomia


A província da Beira Baixa também é riquíssima na sua regionalidade gastronómica.

O seu património gastronómico não pode deixar de ser a influência do solo e do clima, mostrando como o Homem se relaciona com a Natureza.

Como refere Jaime Lopes Dias, na sua compilação "Etnografia da Beira" (11 volumes), os antigos tinham a mesa como sagrada e é à sua volta que a família se reúne e se estreita a amizade a e hospitalidade.

Estrabão, ao referir-se aos Lusitanos, escreveu: "Comem principalmente carne de cabra e na quarta parte do ano, os montanheses não se mantêm senão de bolotas, que secas e trituradas, transformam em farinha da qual fazem pão, o qual pode guardar-se durante muito tempo".

Não restam dúvidas de que o modo de produção e os próprios produtos da economia de subsistência que marcaram esta região durante muitos séculos, moldaram a alimentação.

Dando um salto para os finais do séc. XIX, quando o rei D. Carlos se deslocava à Beira Baixa para a caçada ao javali, o seu ajudante, General Filipe Malaquias de Lemos, conhecedor da região, recomendava em relação ao que o rei devia comer:

"... acho de primeira ordem a orelheira, a miga e o feijão frade e tudo o mais que for beirão...

No menu, falta fruta e talvez uma morcelinha assada no espeto estivesse a calhar!

Não vale a pena ir peixe de Lisboa.

É preferível arranjá-lo aí no Ponsul ou no Tejo...

Comidas e bebidas...tudo daí, com o pão das Beiras e o vinho da terra... " *


De facto, foi à volta dos produtos da região que se foi enriquecendo a criatividade e o engenho gastronómico da população da Beira Baixa, dentro da fragilidade e temperança que caracterizou o viver da nossa gente.

Quanto ao pão, elemento essencial das refeições da Beira Baixa, era feito até há pouco tempo, sobretudo de farinha de centeio, tendo sido antes utilizada a bolota, a castanha e a farinha de milho (broa).

A par da importância do pão, está a sopa ou o "caldo" que, cozido lentamente na panela de ferro no lume da lareira, juntando a batata e os legumes da horta e secos, cebola e alho, temperado com carne de porco (da salgadeira ou enchidos) ou apenas com azeite, constitui um alimento substâncial e muito saboroso.

Em relação à fruta, para além da fresca (maçãs, pêras, cerejas, pêssegos) o destaque vai para a azeitona, a castanha (cruas, cozidas, assadas ou piladas) os figos maduros ou secos (passas de figos) as bolotas de azinho (que ainda hoje se assam ou cozem como as castanhas e são um verdadeiro pitéu) e os medronhos.


* - Jaime Lopes Dias - "O Rei D. Carlos na Beira", pág. 11