sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Monsanto II



O Castelo e suas muralhas
A festa de 3 de Maio


Perde-se nos tempos a data da sua construção, muito anterior à Era Cristã; o que se sabe de positivo é que a sua reconstrução data de meados do séc. XII, mandada fazer pelo Grão-mestre dos Templário, Gualdim Pais. Possuía robustas muralhas que o tornavam quase inexpugnável.
Segundo um curioso desenho da época, tinha cinco torres de que ainda existem vestígios. Duas dessas torres, as extremas, deram certamente origem ao dito espanhol:
Monsanto, Monsanto
Orejas del mulo
El que te ganar
Conquistar puede el Mundo
Entrando pelo lado poente e deixando à esquerda o resto da antiga freguesia de S. Miguel, começava o recinto fortificado da “Casa da Guarda”, que está quase intacta e que tem interessantes seteiras; desta transitava-se por uma ladeira, também intra-muralhas, para um largo muito maior que Guilhermino de Barros romantizou como o “picadeiro da época”. Este tinha uma cisterna para abastecimento de água potável. Daqui, passa-se à sua Torre de Menagem, excelente vigia para os lados de Espanha, e para uma pequena porta para sortidas – Porta Falsa – mascarada pelos penhascos que lhe ficam em frente. Há ainda duas canhoeiras para a artilharia existente na fortaleza.
Deste largo cujas muralhas eram altas, fortíssimas e muito perfeitas, sobretudo pela parte exterior, subia-se ao último reduto, no ponto mais elevado, onde se encontrava o paiol da pólvora.
Uma explosão deste, no princípio do séc. XIX, fez aluir quase todo o castelo e a muralha que o cerca ficou muito danificada.
Havia ainda, a cercar as freguesias de S. salvador e S. Miguel, uma outra muralha mandada construir pelo Conde de Lippe no séc. XVIII, com duas entradas: Santo António e Espírito Santo.
Todas estas ordens de muralhas tinham o respectivo portão de entrada, onde o roçar das trancas de ferro deixou bem marcado o seu trabalho.
A Igreja Matriz da freguesia de S. Miguel era a Capela Românica de S. Miguel (séc. XII), obra que por si só justifica uma visita ao castelo de Monsanto.
Tem um pórtico notável, o côvado (medida da época) do lado direito, cachorros muito interessantes na cornija, todos diferentes e, extraordinariamente, na fachada direita, as sepulturas dos Fidalgos – os governadores da Praça – marido e mulher. Junto a estas, ardeu durante muitos anos, uma luz votiva. Mais atrás, na mesma fachada, está o túmulo dos Priores.
Foi nesta Igreja que ajoelhou D. Afonso V quando da sua estada em Monsanto.
Ao lado, o campanário para dois sinos, e em volta o cemitério com sepulturas cavadas na rocha.
Quem visitar o Castelo deve seguir até encontrar as 13 tigelas, onde a tradição popular quer que a fidalga desse de comer aos seus pobres, e vir passar por baixo dos “Penedos Juntos”, dois blocos descomunais de granito que se encostam um ao outro.
Ao castelo e à sua História Militar anda ligada a tradição de um feito que o povo de Monsanto festeja a 3 de Maio.
- Há muitos anos a moirama, depois de vencida e arrasada Idanha-a-Velha, voltara as suas atenções para o vizinho Castelo de Monsanto e pusera-lhe cerco apertado.
Longos meses se passaram e já os mantimentos escasseavam em absoluto. Aos defensores do velho burgo ocorre então um estratagema: alimentam a última vitela que possuíam com o alqueire de trigo que lhes restava. Chegam-se depois às muralhas, chamam o comandante do exército atacante e atiram-lhe com a vitela que, ao desfazer-se no solo, mostra o trigo que havia comido.
Esta suposta abundância de víveres desanima o mouro que levanta o cerco.
Os monsantinos nunca mais esqueceram este facto e o seu nacionalismo os tem levado todos os anos em 3 de Maio ao castelo para,do ponto mais elevado, deitarem sobre os rochedos um pote – que simboliza a vitela – cheio de flores – o trigo – com que a tinham alimentado. Dançam depois toda a tarde e, no regresso, levam para casa as marafonas ou Maia (bonecas de trapos ou farrapos) que tinham trazido e deitam-nas sobre as camas. Ficam assim livres de lhes cair alguma faísca em casa.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Monsanto I



Origem do nome – Situação
Breve resumo da história militar do Castelo



O nome de Monsanto dado a esta aldeia, recentemente mudado para Monsanto da Beira para a distinguir das suas homónimas que são várias no país, é “de época mui remota. O local deve ter sido sagrado (Mons Sancti) e para a santidade do lugar contribuiu, sem dúvida, a própria forma do monte que a grande distância avulta solitário e chama a atenção entre os que o circunvizinham”. (Prof. Leite de Vasconcelos)
Situada no concelho de Idanha-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, a actual aldeia de Monsanto assenta a dois terços do monte do mesmo nome, isto é, a pouco mais de 500 metros de altitude, pois que o monte atinge na sua maior altura cerca de 800 metros.
Três idades diferentes marcam a situação da aldeia:
Nos primeiros tempos da sua existência, estava situada em volta do recinto fortificado – freguesia de S. Miguel. Além da sua Igreja Matriz, possui esta freguesia mais 3 capelas: S. João, Senhora do Castelo e a de S. Domingos.
Mais tarde desceu a população para onde se encontra actualmente a aldeia e formou a freguesia de S. salvador.
Recentemente tende a espalhar-se pelos campos, devido ao aumento da população (mais de 4.000 habitantes em 1945), dando origem aos lugares anexos de Relva, Eugénia, Cidral, Carroqueiro, Adingeiro, Lagar de Maria Martins, Lagar de Junho, Torre e Devesa, alguns já bastante populosos.
As freguesias de S. Miguel e S. salvador coexistiram durante muitos anos e desde há muito tempo.
Foi Monsanto condado e praça-forte de categoria e o seu castelo que ainda existe em ruínas gloriosas, teve uma história militar das mais brilhantes.
Já anteriormente à Era Cristã, este castelo foi cercado pelos romanos, sendo a sua defesa entregue a Sertório. Só se rendeu depois de mortos quase todos os seus defensores.
Em 1658, D. Luiz de Haro, ministro de Filipe IV de Castela, cercou-o também, desta vez inutilmente, pois que teve de levantar o cerco, incomodado pelas mortíferas sortidas dos defensores.
Em Maio de 1704 foi novamente sitiado pelas forças do duque de Berwick, que depois de tomarem Salvaterra e Penha Garcia, tentaram fazer render Monsanto sem combate. A isso se opôs tenazmente o governador da praça que, com a sua exígua guarnição militar, resistiu enquanto pode. O exército franco-espanhol entrou na fortaleza depois de ter morto todos os seus defensores, tendo o governador caído com um golpe vibrado no crânio.
Este desastre foi pouco depois vingado pelo Marquês das Minas que se encontrava em Almeida e que acorreu logo que o soube, a marchas forçadas em auxílio das forças que operavam perto de Monsanto.
Infringiu uma pesada derrota a D. Francisco Ronquillo, delegado de Berwick, no “vale da Matança” e, assaltando e conquistando o Castelo, mandou passar a fio de espada toda a guarnição que se lhe entregara quase sem combate.
Fechou com esta página a sua história, este lendário castelo que era uma maravilha de arte do seu tempo.

Monsanto - Idanha-a-Nova



Como o visitante deve ver
MONSANTO



Apeando-se do automóvel junto ao Cruzeiro da Igreja, como geralmente se faz, deve começar por visitar a Igreja Matriz, que fica em frente. De notável encontra nela os altares Renascença, os laterais sob baldaquinos, os túmulos dos priores do séc. XVII com as respectivas inscrições. Possui bonitas imagens.
Esta igreja data do séc. XV.
Perto dela está a actual residência do pároco, bonita casa em estilo português, e mais acima, no começo da Rua Direita, o antigo solar da Família Pinheiro (séc. XVII).
Segue por esta rua até à Praça e daí até à Barreira do Relógio, donde se desfruta um vasto panorama. Pode ir visitar a Torre Sineira (séc. XV) e, voltando à Barreira, dar um passeio pelo bairro antigo, onde lhe mostrarão casas seiscentistas com curiosas cantareiras.
Em seguida subirá ao Castelo pela Rua da Pracinha e deve entrar nele pala Casa da Guarda que tem à direita do pórtico uma curiosa inscrição do séc. XII. Segue até à “cidadela” onde se vê a cisterna, a Torre de Menagem e a Porta Falsa e depois até ao ponto geodésico de onde se disfruta o panorama mais vasto de toda a Beira Baixa.
Dali avista: Castelo de Vide, Castelo Branco, Covilhã, Guarda, Sabugal e Penamacor para o lado português e S. Martin de Trevejo, Cacillas de Cória, Brozas até à longínqua serra de Bejar, para o lado de Espanha, se o dia estiver claro.
Regressa depois pelo caminho inverso até chegar à Casa da Guarda e segue até à Igreja românica de S. Miguel, deixando à sua esquerda as ruínas da antiga freguesia do mesmo nome.
Junto à Igreja há o campanário e o cemitério da época.
Voi depois passar junto às “13 tigelas”, onde a tradição popular diz que a fidalga dava de comer aos pobres. As ruínas que ficam à direita das “tigelas” são da casa dos governadores.
Por uma vereda que torce para o poente e depois para o norte, vai passar por baixo dos “Penedos Juntos” e entra na povoação pelo lado nascente. Se o tempo lho permitir, não deixe de ir visitar a Igreja de S. Pedro de Vir-a-Corça. É também do séc. XII. Tem uma rosácea lindíssima, notáveis colunas, campanário ao lado e o sítio é muito aprazível,
A capela-mor está dividida em 3 recintos completamente isolados para aí, segundo os usos da época, se realizarem as audiências judiciais.
É a jóia arquitectónica de Monsanto.
Os meses do ano em que convém visitar Monsanto são aqueles em que os dias costumam ser mais claros e a temperatura mais agradável: Maio, Setembro e Outubro.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Meus Amigos

Meus Amigos...

Estando já descrito, e muito bem, num outro blog dedicado à vila do Rosmaninhal, a festa de S. João, deixo aqui um link de forma a poder ser consultado.

Na altura do S. João, os naturais desta vila de Idanha-a-Nova só não estão presentes na festa, se lhes for totalmente impossível!


http://rosmaninhal.no.sapo.pt/usosecostumes.htm

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Cancioneiro Popular



Cancioneiro Popular


O Cancioneiro Popular da região da Beira Baixa também referem a alimentação:


Não posso comer sem garfo

Nem galinha sem limão

Não posso tirar os olhos

Donde os meus amores estão


O meu amor é padeiro

Traz a cara enfarinhada

Os beijos sabem-me a pão

Não quero comer mais nada


Dai-me vinho, dai-me vinho

A água não posso beber

A água da fonte tem limos

Tenho medo de morrer


à cabeceira, toucinho

Aos pés, chouriço assado

Diga-me lá, ó menina

Se estou mal acompanhado


Dá-me da pera madura

E da maçã, uma talhada

Da laranja um gominho

Do limão não quero nada


Julgas que morro por ti?

Engana-te o coração

Eu nunca fui rabaceiro

Da fruta que cai no chão


Quatro castanhas assadas

Quatro pingos de aguardente

Quatro beijos de uma moça

Fazem um homem contente


segunda-feira, 19 de maio de 2008

Adágios...





Adágios e Expressões




Também a alimentação é homenageada com Adágios e Expressões populares que revelam conceitos de um saber feito de experiência.


Alguns dos mais originais:




Barriga vazia não conhece alegria.


Guardado está o bocada para quem o há-de comer.


Quem em Maio não merenda, aos mortos se encomenda.


Barriga de pobre, antes arrebente do que sobre.


Come-se a perdiz com a mão no nariz.


Ovelha que berra, bocado que perde.


Pão quente, faz mal ao ventre.


Não digas desta água não beberei, nem deste pão não comerei.


Pão com olhos, queijo sem olhos e vinho que salte aos olhos.


Ano de nevão, ano de pão.


Pelo S. Martinho, rebusca o teu soitinho.


Dia de S. Tiago, vai à vinha e prova o bago.


Dia de S. Lourenço, vai à vinha e enche o lenço.


Pelo Stº André, agarra o porco pelo pé.


O pisco em Janeiro, vale os quartos de um carneiro.


Em Janeiro, um porco ao sol e outro no fumeiro.


Pelo S. Marcos, os sáveis enchem os sacos.


O azeite, o vinho e o amigo, o mais antigo.


O primeiro copo bebe-se inteiro, o segundo até ao fundo, o terceiro como o primeiro e o quarto como o segundo.


O azeite e o vinho, um ano é teu outro do vizinho.


A fome e o frio metem a lebre ao caminho.


Pelo S. Martinho, mata o teu porco, prova o teu vinho e não te esqueças do teu vizinho.


Antes a face com fome e amarela do que a vergonha nela.


Comer e beber e fazer para o ter.




Outros pratos...




Outros pratos...

O peixe do rio não assumiu grande importância na alimentação do dia-a-dia. Contudo, tal hábito está a modificar-se e tem já um certo significado a pesca nos rios com água durante todo o ano, como o Tejo, o Zêzer, o Ponsul, o Aravil, etc.
Os peixes mais comuns são: o barbo, a boga, a carpa, o lúcio e o achigã.
Nas ribeiras de águas frias nas faldas da Serra da Estrela, tem significado a truta, recentemente incrementada pela construção de instalações adequadas, representando uma fonte importante de proteína natural, cada vez mais apreciada na região.

Também se consome aguardente e jeropiga.
Embora cada vez mais raro, ainda há o "mata-bicho" com aguardente logo no começo do dia. Com a jeropiga e água-pé comem-se as castanhas assadas e as passas de figos (figos secos).

E para finalizar, ou melhor, para a sobremesa, vai a doçaria, que embora não tenha constituído elemento regular e normal na alimentação corrente, tem vindo a aumentar a sua produção e consumo.
O Arroz Doce, servido em travessas, figura obrigatóriamente nas festas de família ou nos casamentos (bodas).
O leite-creme e as papas de milho (carolo) são também muito habituais. As papas de milho estão ligadas a certas festividades, como sejam os Santos, e mesmo a acontecimentos colectivos.
A coalhada, o requeijão ou travia, o leite com botelha (abóbora) e o caldudo (castanhas secas, cozidas em leite) são também elementos importantes na doçaria
A aletria, a taborna ou tiborna (pão molhado em azeite ou vinho e açúcar) constituem referências significativas.




O pão-leve (pão-de-ló), as cavacas, os cuscuréis, os folares, as amêndoas roladas, os sonhos, os suspiros, as espumas ou farófias, os ovos de fio, a palha de padre e as tijeladas, fazem parte da doçaria tradicional com enormes potencialidades.

domingo, 18 de maio de 2008

Pratos de Carne



Pratos de carne


Quanto à carne, o porco que foi rei e senhor, ainda mantém um lugar de destaque, embora os genuínos cabritos e borregos façam as delícias dos mais exigentes, sendo também de referir a crescente disponibilidade da saborosa carne de javali.


Os maranhos (miúdos de cabrito ou de carneiro e outras carnes, como presunto, paio) bem temperados com pimenta e hortelã, constituem a especialidade da zona sudeste da região - zona do pinhal.


O sarrabulho ou sarapatel (cozinhado com miúdos de porco) é muito típico por alturas das matanças.


A carne de galinha e de coelho, quando criação de casa agrícola, são muito saborosas e lá diz a sabedoria popular: "Cautelinha e caldos de galinha não fazem mal a ninguém".


A caça foi uma grande fonte de carnes, muito apreciada, com destaque para os coelhos bravos, lebres, perdizes, pombos e patos bravos, tordos, rolas, galinholas e codornizes.


Sendo a perdiz uma das espécies mais apreciadas, é interessante referir o que o saber do povo conta sobre o seu ciclo de vida:


"Em Janeiro, busca o parceiro.

Em Fevereiro, faz o rapeiro.

Em Março, faz o covacho.

Em Abril, enche o covil

Em Maio, pipi para o mato

Em Junho, maior que um punho

Em Julho, enche o certulho

Em Agosto, toma-se-lhe o gosto..."

A sopa na panela de ferro



Poejo

A sopa na panela de ferro

A velha panela de ferro, tão negra, cheia de fuligem por fora e tão limpinha por dentro do uso diário que lhe é dado durante grande parte do ano, durante várias gerações, continuou ao lume.
Hoje só em ocasiões muito especiais é que se utiliza.

Estando a panela já arrimada ao lume com a água necessária, antes de ferver botam-se-lhe os ingredientes: batatas bem descascadas, couves não migadas mas ripadas à mão, nabiças ou feijão verde (conforme a época), cebola e alho, uma folha seca de loureiro, um tomate descascado e uns raminhos de hortelã e poejos. Junta-se uma farinheira e uma morcela (se for a seguir à matança do porco, pode juntar-se um osso, dando à sopa um outro sabor)
Tudo deve cozer em lume brando, demoradamente (mais de uma hora). Depois, o enchido e os ossos são retirados e, pacientemente, com uma colher de pau e um garfo, as batatas são esmagadas. No caso de não haver enchido, falta juntar o tempêro, sal e azeite, deixando a panela em cima das brasas para mais umas fervuras.
Fica assim pronto o saboroso caldo, um pouco espesso mas sem ser puré, que é meio sustento.

A Gastronomia da Beira Baixa



A gastronomia


A província da Beira Baixa também é riquíssima na sua regionalidade gastronómica.

O seu património gastronómico não pode deixar de ser a influência do solo e do clima, mostrando como o Homem se relaciona com a Natureza.

Como refere Jaime Lopes Dias, na sua compilação "Etnografia da Beira" (11 volumes), os antigos tinham a mesa como sagrada e é à sua volta que a família se reúne e se estreita a amizade a e hospitalidade.

Estrabão, ao referir-se aos Lusitanos, escreveu: "Comem principalmente carne de cabra e na quarta parte do ano, os montanheses não se mantêm senão de bolotas, que secas e trituradas, transformam em farinha da qual fazem pão, o qual pode guardar-se durante muito tempo".

Não restam dúvidas de que o modo de produção e os próprios produtos da economia de subsistência que marcaram esta região durante muitos séculos, moldaram a alimentação.

Dando um salto para os finais do séc. XIX, quando o rei D. Carlos se deslocava à Beira Baixa para a caçada ao javali, o seu ajudante, General Filipe Malaquias de Lemos, conhecedor da região, recomendava em relação ao que o rei devia comer:

"... acho de primeira ordem a orelheira, a miga e o feijão frade e tudo o mais que for beirão...

No menu, falta fruta e talvez uma morcelinha assada no espeto estivesse a calhar!

Não vale a pena ir peixe de Lisboa.

É preferível arranjá-lo aí no Ponsul ou no Tejo...

Comidas e bebidas...tudo daí, com o pão das Beiras e o vinho da terra... " *


De facto, foi à volta dos produtos da região que se foi enriquecendo a criatividade e o engenho gastronómico da população da Beira Baixa, dentro da fragilidade e temperança que caracterizou o viver da nossa gente.

Quanto ao pão, elemento essencial das refeições da Beira Baixa, era feito até há pouco tempo, sobretudo de farinha de centeio, tendo sido antes utilizada a bolota, a castanha e a farinha de milho (broa).

A par da importância do pão, está a sopa ou o "caldo" que, cozido lentamente na panela de ferro no lume da lareira, juntando a batata e os legumes da horta e secos, cebola e alho, temperado com carne de porco (da salgadeira ou enchidos) ou apenas com azeite, constitui um alimento substâncial e muito saboroso.

Em relação à fruta, para além da fresca (maçãs, pêras, cerejas, pêssegos) o destaque vai para a azeitona, a castanha (cruas, cozidas, assadas ou piladas) os figos maduros ou secos (passas de figos) as bolotas de azinho (que ainda hoje se assam ou cozem como as castanhas e são um verdadeiro pitéu) e os medronhos.


* - Jaime Lopes Dias - "O Rei D. Carlos na Beira", pág. 11


sexta-feira, 16 de maio de 2008

Os Costumes - 2

Os Costumes - 2

Outros usos e costumes se podem ainda encontrar na Beira Baixa.
De caracter religioso, encontramos a Festa do Espírito Santo, largamente implementada pela Rainha Santa (séc. XIII) e que ainda perdura, embora com algumas modificações.
Encontramos também as festas aos Santos Populares, na triologia de Santo António, São João e São Pedro, realizadas no mês de Junho.
Destas festas populares, falarei mais tarde.

Com caracter de culto pagão, vamos encontrar as "Maias".
Em Maio, começo do ano em tempos primitivos, celebra-se a "vida nova". Para festejar o "retorno à origem", grupos de rapazes saiem para o campo, onde colhem ramos do Maio (giesta) e se enfeitam. Antigamente, cobriam um deles com flores dos pés à cabeça e percorriam a aldeia cantando e pedindo castanhas ou dinheiro.
Em algumas aldeias fazem bonecos de palha ou trapo, que cobrem de giestas e colocam às janelas e nos campos para se protegerem das trovoadas (Monsanto)

O princípio de Agosto é muito importante, porque traz as "canículas".
É através delas que se faz a "previsão metereológica" para todo o ano seguinte. Na parte oriental da Beira Baixa, as "canículas" são contadas de 1 a 13 de Agosto. Já na parte ocidental, vão de 15 de Agosto a 28.
O 1º dia diz como será o ano, o 2º dia vai corresponder a Janeiro, o 3º dia a Fevereiro e assim por diante.

Na altura dos Santos (1 de Novembro), é uso as raparigas oferecerem aos noivos e namorados um folar, que eles retribuirão na Páscoa com um saquinho de amêndoas.
Nos proclames do casamento, costumam os noivos oferecer aos amigos, vinho e tremoços.
A festa de casamento também tinha contornos interessantes.
No dia do casamento, o noivo e convidados dirigiam-se à casa da noiva. Era uso encontrar a porta fechada. O noivo batia à porta e o pai da rapariga atendia:
- Quem é e o que deseja? (pai da noiva)
- Sou Fulano... e procuro mulher, honra e fazenda! (noivo)
- Entre, que tudo encontrará! (pai da noiva)
Agora já não se trocam estas frases. A noiva sai de casa pelo braço do pai e assim se dirige à igreja, seguida dos padrinhos e dos seus convidados. O noivo, padrinhos e convidados deste, vão atrás, fechando o cortejo.
Após o casamento, os noivos agora lado a lado, encabeçam o cortejo que deve regressar por uma rua diferente. À porta dos noivos ou dos padrinhos, disputa-se a "rebatina". "Rebatina" é a distribuição pela rapaziada de tremoços, rebuçados e amêndoas.

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quarta-feira, 14 de maio de 2008

Os Costumes - 1

Os Costumes - 1



Na noite de Ano Novo é de uso, em muitos locais, manchar as portas com farinha. Este costume relembra o "milagre das portas", que se conta como sendo passado logo após o nascimento de Jesus. Um soldado de Herodes conseguiu localizá-lo e marcou a porta com farinha, pois era de noite e ele não conhecia bem aqueles sítios. Quando voltou com mais companheiros,terá achado todas as portas marcadas e teve de desistir da busca.
Também é costume cantar as "Janeiras" pelo Ano Novo ou na noite de Reis (6 de Janeiro).

http://pt.wikipedia.org/wiki/Janeiras

Carnaval na Beira

Antigamente, pelo Carnaval, era costume juntarem-se grupos de rapazes que, subindo aos lugares altos das povoações, "choravam o Entrudo".

Consistia essa brincadeira em fazer uma série de sátiras em verso, aos vizinhos e outros habitantes da região. Claro que os do grupo procuravam disfarçar a voz e por isso falavam, geralmente, através de um funil.

Na zona da Sertã era costume "repartir o burro". Consistia na distribuição das partes do burro (teoricamente) pelas pessoas e situações que se queria criticar.

http://poesiaquesinto.blogspot.com/2008/01/repartir-o-burro.html

Na Quaresma é costume, que ainda se realiza na maior parte das aldeias e das vilas, fazer a "encomendação das almas". Há um grupo que canta versos alusivos e outro que responde, rezando. Em muitos locais o Pai Nosso do responso é rezado em silêncio nas casas. Também deu origem, em algumas povoações, a uma procissão de penitentes. Em alguns sítios, realizam-se à noite e com grupos restritos. Noutros, durante o dia. Em S. Vicente da Beira, a Ordem Terceira de S. Francisco comemora os grandes dramas da Paixão com diversos actos e uma solene procissão, já secular, chamada Penitência. Realiza-se de tarde e nela participa todo o povo da região.




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terça-feira, 13 de maio de 2008

Os Costumes



Os Costumes




A região da Beira baixa viveu muito isolada durante séculos. Os usos e costumes passavam de pais para filhos pelo exemplo das suas práticas, enquanto as lendas e tradições iam sendo transmitidas ao serão, junto à lareira.
Essa situação está hoje muito alterada pelos factores do progresso. Há, no entanto, ainda usos e tradições de raízes tão profundas que têm conseguido sobreviver.

Pelo Natal é costume queimar-se, no adro da Igreja, um grande madeiro (1) que se destina a aquecer o Menino que vai nascer e evitar que haja gente com frio nessa noite (2)



.http://dias-com-arvores.blogspot.com/2004/12/madeiro-do-natal.html





A forma de encontrar o “madeiro” varia de terra para terra. Em algumas, faz parte da tradição que seja roubado, noutras é alguém que o oferece, por promessa.
No primeiro caso, e para que não se saiba quem o roubou, vão de noite, os homens embuçados e cobrem com mantas os bois que puxam o carro (hoje, esta prática está em desuso. Nas terras que ainda acendem o madeiro, este é trazido pelos grandes proprietários em tractores e colocado no adro da Igreja). Em algumas terras da raia, era costume os moços mancebos (3) saltarem a fronteira para roubarem o madeiro do lado espanhol.
À meia-noite, em todas as povoações, o povo aproximava-se do madeiro acesso, dançavam e cantavam em redor da fogueira e provavam as filhós (4).
Nos concelhos onde não era costume queimar-se publicamente o madeiro, fazia-se em cada casa uma bela fogueira na lareira, que ficava a arder toda a noite. Deixavam também a candeia acesa e a mesa posta com filhós, para quando o Menino chegasse, poder encontrar agasalho.

(1) – Madeiro – Normalmente composto por grossos e volumosos troncos dos sobreiros mais secos, velho e carcomido e que já abrigou, no seu seio, dezenas de gerações


(2) O calor emitido pelo braseiro era tal, que chegava a fazer arder as portas das igrejas…todo o adro ficava aquecido… Há ainda hoje povoações onde o tradicional madeiro faz parte integrante do Natal, como o Presépio e a respectiva árvore (pinheiro enfeitado).

(3) Mancebos – o grupo de rapazes que entravam nesse ano para a recruta militar eram que estava encarregue de “roubar” o Madeiro… Na raia com Espanha, a aventura consistia em passar a fronteira (clandestinamente) e trazer o madeiro previamente localizado e escolhido (o que implicava várias idas ao território vizinho). Esta tradição, provavelmente, remonta à Idade Média, representando a eterna rivalidade entre Portugal e Espanha.

(4) Filhós – Tipo de doçaria própria do Natal. Desde o amassar até à fritura, era o trabalho das mulheres, enquanto os homens tratavam do madeiro.


segunda-feira, 12 de maio de 2008

A fauna Beirã


O lince ibérico - na região da Beira Baixa, o lince está confinado à serra da Malcata, com poucos casais reprodutores.


A Fauna Beirã



Fauna cinegética -




Afora os voláteis de pequeno e médio porte (pardais, corvos, melros, etc.), a Fauna beirã baseia-se nos espécimes herbívoros e carnívoros, típicos das zonas mediterrânicas: coelho, lebre, raposa, lontra, lince, águia, lobo e javali. Estes quatro últimos quase extintos.




Os caçadores, os incêndios e o aumento populacional (séc. XVIII e XIX), ou os afugentaram ou liquidaram. De realçar os resultados e a nomeada das caçadas reais ao lobo e javali, que o rei D. Carlos levava a efeito na Isna, Monfortinho e Malpica do Tejo.




É também de referir que a zona do Tejo Internacional é o reduto da cegonha negra, na Europa.








Fauna venenosa -




Afora a crendice supersticiosa e geralmente indocumentada, devemos reparar na usança do povo ao dizer " Se a víbora ouvisse e o liso visse, ninguém existia no Mundo". Deve-se referir que na Beira Baixa, tal como em quase toda a faixa mediterrânica, se encontram animais cuja mordedura, além de dolorosa, pode ocasionar a morte.




Estão neste caso, e pertencendo à ordem dos répteis,: a víbora e o licranço (cobra de vidro ou liso).





Da família dos aracnídeos, existe a tarântula, o escorpião e a centopeia.



Além destes, e menos perigosos, ainda se encontra a sanguessuga, o sapo, a osga ou saltarroscas, e a salamandra.




Do grupo dos insectos, encontramos a vespa, a abelha, a torresma e a mosca dos bois.





A Flora beirã - 2


Foto tirada do alta da serra da Gardunha - note-se o início da Campina de Idanha, em baixo


A Flora beirã - 2


Retalhando a Beira Baixa (por isso também é conhecida por "manta de retalhos"), conforme a realidade da sua dispersão geo-florestal, notamos a Norte uma paisagem granítica e fria, onde predomina a urze e outras herbáceas, que constituem óptimas pastagens naturais. Grandes soutos e lameirões alcantilados, onde coabita a vinha de bacelo e de ramada.

Região propícia à actividade pastoril, resulta em apreciados produtos como : queijo, carnes, lãs e peles, cuja industrialização originou o progresso das cidades aí localizadas (hoje em franca desertificação, devido ao encerramento das referidas indústrias).

As baixas, citas entre a Gardunha, Malcata e Estrela, nos concelhos da Guarda (já Beira Alta), Fundão e Covilhã, a chamada Cova da Beira, são habitat de vinhas e frutíferas, marginadas pelo sempre verde e omnipotente pinheiro.

Da zona, são famosos os frutos, principalmente cerejas, maçãs e pêssegos, e os vinhos das Adegas Cooperativas do Fundão e Covilhã.

Para Sudoeste, abarcando Mação, Vila de Rei, Proença-a-Nova, Pampilhosa da Serra, Oleiros, Sarzedas e Sertã, deparamos com a zona de implantação do pinheiro bravo que, incorporando-se à Lousã e à Beira Litoral, se afirma e é, considerada a maior mancha de pinhal (particular) da Europa.

Dos limites, a Nascente dos concelhos de Proença-a-Nova, Oleiros e Fundão, obliquando à freguesia de Alpedrinha, e daí pelo concelho de Idanha-a-Nova a toda a extensão da serra da Malcata até à ribeira de Alge e por toda a linha de fronteira, deparamos com a Beira tipicamente raiana.

Transição da Beira verdejante para o Alentejo e Estremadura Espanhola, terrenos ressequidos e chãos, região quente e seca, habitat da oliveira, sobreiro, citrinos, trigo, vinha de bacelos, rosmaninho e do carapeto árido e agressivo. Cabeços redondos e peneplanálticos, ora desnudos ora cobertos de estevas onde, de longe em longe, desponta uma ou outra azinheira a par de um moitoço de pilriteiros ou cavasqueiros raquíticos, matizados pelo negrume duro e apedrejado do granito.

É deveras assombrosa a variedade micro-climática e microgeológica da Beira Baixa.

A Flora beirã - 1



A Flora beirã - 1




Da famosa e iberíssima vinha céltica, poucas cepas podemos encontrar nesta zona, bem como em toda a Beira Baixa.


O aparecimento do míldio minou toda a seiva a essas ramadas. A testar o gigantismo dessas cepas, pode apontar-se a afirmativa de vizinhos que se referem à existência de dois exemplares:


Um, existente no lugar do Dão, próximo de Várzeas, no concelho de Oleiros, propriedade actual do Sr. João Ramos(1), da referida aldeia. Empoleirada num sobreiro, chegou a produzir num só ano, a astronómica quantidade de vinte e dois almudes (550 litros).


O maior exemplar de que há memória e que foi a muita gente dado a conhecer já raquítico e carcomido, situa-se em Cambas, freguesia do concelho de Oleiros e conforme depoimento de pessoas mais idosas, produziu numa só safra, a enormidade de quarenta e cinco almudes. A sua ramada cobria todo o recinto do arraial das festas. Ainda hoje existe, definhado, e o proprietário, o Sr. Manuel Martins (1), natural do Roqueiro, é morador no lugar de Cambas.


No nosso país, o almude varia conforme as regiões, mas fazendo as contas com o almude a 25 litros, esta cepa chegou a dar 1125 litros só numa safra.


Actualmente ainda se pode saborear este tipo de vinho pouco incorpado e com um travo a verde, de uma cor aquosa, em muitas povoações do concelho de Oleiros.


Também na zona de Penafalcão se encontram algumas cepas de vides Colun, cuja produção mais modesta, é também digna de registo.




A Flora beirã espelha-se em grandes e ininterruptas extensões de pinhais, coabitando com o medronheiro, as estacas de oliveiras serranas, o tojo, o feto, o mato torgueiro, a carqueja, extensos olivais de oliveiras frondosas e seculares em terrenos de estevas, rosmaninho, carapeto, salva e carrasqueira.


Mas é sempre o verde e compacto pinhal, sombreando e enriquecendo vales e serranias, concorrendo com milho e horta, fazendo perigar a própria segurança das pessoas das localidades em alturas de incêndio, que se afirma o mais actual ex-libris Beirão.




Relevantes são, em qualidade e fama, os produtos derivados da oliveira, sobreiro, medronheiro, pinheiro e os derivados da sua capacidade apícola e frutícola.




(1) - Nota: esta pesquisa foi feita na década de 90. Daí o desconhecimento se estas personagem ainda são vivas.

domingo, 11 de maio de 2008

A Flora Beirã

Sertã - A predominância do pinheiro-bravo faz com que esta região seja conhecida por Zona do Pinhal


A Flora Beirã


Das seculares matas de medronheiros, castanheiros, azinheiras, carvalhos, sobreiros e cerejeiras, pouco resta.
Diferenças climatéricas ocasionaram uma maior amenidade aos Invernos e uma mais nítida estiagem em tempo de Verão. O desmoitamento e arroteamento imprescindíveis ao avanço da agricultura e pastorícia, o enfraquecimento dos terrenos, o aparecimento do míldio que grassou as vides Colun e as destruiu quase por completo, o uso indiscriminado de fertilizantes em terras frias, sem qualquer orientação técnica especializada, o arreigado vínculo às estruturas tradicionais, as minguadas retribuições da agricultura portuguesa, desde sempre a “irmã” mais desfavorecida da economia do País, tudo isto aliado a outros factores conjunturais da política de rendimento, obrigaram ao cerceamento e quase extinção dos soutos e azinhais, apontando para uma reflorestação de novas espécimes.
O pinheiro é hoje predominante e omnipresente. Não cai fora do velho plano governamental designado por Centralismo Metropolitano. Onde actualmente se transita por estradas florestais, as populações só há bem poucos anos começaram a vislumbrar o aparecimento do civilizado néon. Lugares onde, ainda hoje, as idas à fonte, as farmacopeias dos barbeiros e os partos assistidos pelas “entendidas” do povoado, são realidades do dia a dia. Ainda há lugares onde a geleira não substituiu a “salgadeira”, nem a assistência passa da Casa do Povo e os tratamentos urgentes se coam nas consultas da Caixa.
Na época da Fundação e consequente repovoamento do território, o desbravamento dos solos destinados ao cultivo de cereais e plantas hortícolas, era feito à base do fogo. Nesses tempos, e conforme historiadores credenciados, o paías parecia uma imensa fogueira propositadamente ateada, a fim de destruir os matagais e afugentar as feras.
Os tempos correram. A estabilidade política começou a ser mais longa e prometedora. O homem “aferrou-se” aos seus lugares de nascimento. A agricultura e pastorícia passaram a ser actividades geminadas, na rota do progresso e do bem estar. Aplicaram-se novas sementes e inventaram-se outras técnicas. Sementes e técnicas que influenciaram sistemas até considerados os mais rentáveis e entendidos.
Progrediu-se.
Dos prolíferos e frondosos soutos medievais, que se mantiveram atá há bem poucos anos atrás, resta-nos uma mísera sombra de castanheiros, aferrados a bolsas e vertentes dos barrocos mais frios e menos soalheiros. E para grande quantidade deles, os incêndios de Verão são a pira da existência. Felizmente que ainda encontramos na Beira Baixa, bons espécimes das tradicionais qualidades da castanha.
Por exemplo:
Longal – que é de todas a mais saborosa
Sidão – É maior e mais adocicada
Portelão – de sabor menos adocicado mas tão grande como a anterior
Temporã ou do Japão – castanha de fácil amadurecimento e a mais pequena de todas.



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sábado, 10 de maio de 2008

Um pouco de História - 1

Estrada romana que ligava Emérida (Mérida) a Bracara Augusta (Braga)


Egitânia – Idanha-a-Velha


É uma freguesia do concelho de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco, Diocese de Portalegre e Relação de Coimbra.
Está situada na margem direita do rio Ponsul (afluente do Tejo).
De casario granítico e ambiente pitoresco pelo notável conjunto de ruínas que conserva, ocupa um lugar de realce no contexto das Estações Arqueológicas do País.
Pode ser considerada, sem dúvida alguma, uma das mais antigas povoações de Portugal e possui ricos pergaminhos históricos, entre os quais o de ter sido berço natal do famoso rei dos Visigodos, Vamba.
Na verdade, onde hoje se ergue Idanha-a-Velha e segundo investigações históricas, situava-se antigamente a florescente cidade de Egitânia, que foi capital dos Egaeditani, povo pré-romano assim denominado devido à sua divindade principal, o deus Igaedus. Remonta ao tempo dos Lusitanos e existia já no ano 16 a.C., porque nessa data um cidadão de Augusta Emerita (Mérida), Quinto Itálio, doou à cidade um relógio.
A cidade de Egitãnia teve um grande desenvolvimento na época de Augusto, na sequência do estabelecimento da colónia de Nerba Caesarina (Cáceres - Espanha).
Situada sobre a grande via romana Emérita (Mérida – Espanha) – Bracara (Braga), na proximidade de importantes minas de ouro, a “civitas” cresceu em importância e cumpriu da melhor forma o que a administração imperial dela esperava, ascendendo ao estatuto municipal sob os imperadores Flávios, no último quartel do século I.
Perto de Egitânia, na povoação de Medelim para noroeste, existiu um acampamento permanente fundado nos anos 70 a. C., por Q. Cecílio Metello Pio.
Igaeditania ou Egitânia (não é conhecido o nome próprio da cidade), foi simples oppidum (era o termo em latim para a principal povoação em qualquer área administrativa do Império Romano) governado por quatro magistri. Deduz-se assim que a população da nova cidade lusitana era, no essencial, constituída por naturais da região e não por cidadãos imigrantes, qualquer que fosse a sua origem, itálica ou hispânica.
No final do séc. III ou início do séc.IV, foi levantada uma muralha, posteriormente muito modificada e reconstruída pelos Templários, deixando parte da cidade no exterior da cerca.
No período visigótico, conserva a sua função administrativa como sede de um episcopado e de uma oficina monetária. Deste período e testemunho importante é, sem dúvida, o baptistério, a que devemos juntar algumas belas pedras lavradas.
Sem podermos precisar o que se passou, sabe-se que a invasão muçulmana marca o início da longuíssima agonia de Egitânia como centro populacional, perdendo definitivamente a sua razão de ser na forma administrativa. Nenhuma das tentativas revivificadoras levadas a cabo por D. Afonso Henriques, D. Sancho II (que lhe deu foral), D. Dinis e D. Manuel (que lhe concedeu um segundo foral), resultaram.
Do Passado, pouco resta. A própria catedral de Egitânia, abandonada e em ruínas, acabou por ser transformada em cemitério.
O afastamento dos grandes eixos de comunicação, o fraco valor militar do local e sem a alternativa de uma economia desenvolvida, contribuíram decisivamente para que a região se transformasse num sítio exemplar onde a poesia das coisas não pode fazer esquecer o drama dos Homens.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Algumas imagens - 2

Uma das estradas da villa de Egitãnia (Idanha-a-Velha)




Uma das portas secundárias das antigas muralhas de Idanha-a-Velha - reparem como ainda está soterrada e o que ainda falta fazer em termos arqueológicos




Algumas imagens - 1

Construção visigótica, recuperada e que actualmente é um Museu de lápides e aras, encontradas na região



Fachada principal da antiga Sé Visigótica - Idanha-a-Velha